É meio da manhã em Kingston e, saindo de uma sala de reuniões no SRC da Jamaica, Ricardo Gowdie, líder da equipe de Sistemas de Informação Gerencial (MIS), reflete sobre sua jornada profissional e o que inspirou seu trabalho até agora.
“Gostaria de ver a Jamaica se tornar uma nação impulsionada pela tecnologia e, essencialmente, estou tentando trabalhar para que isso aconteça. Tenho a honra de contribuir para otimizar a forma como um Conselho influente como o SRC encara os tempos em que vivemos.”
Ricardo trabalha na área digital há vinte anos, sendo o último ano e meio dedicado ao SRC. Como principal instituição de pesquisa da Jamaica, o SRC oferece diversos serviços, incluindo suporte à pesquisa para o setor agrícola, desenvolvimento e testes de produtos, além de uma planta piloto de fabricação de alimentos, onde as empresas podem produzir protótipos ou produtos para atrair o mercado. Em sua função, Ricardo supervisiona a prioridade estratégica do Conselho de implementar soluções tecnológicas voltadas à melhoria da eficiência e da prestação de serviços.
A equipe do MIS no Conselho de Pesquisa Científica da Jamaica. Da esquerda para a direita: Ta-Von Marsh, Valencia Brown, Romane Bryan, Ricardo Gowdie, Chinelle Clarke.
Por que digital e por que agora?
O SRC tem uma visão clara para o crescimento digital, particularmente na renovação de infraestrutura e na gestão de dados. Progressos significativos foram alcançados até o momento, mais recentemente com Ricardo supervisionando a otimização da forma como o Conselho se conecta internamente e com o mundo externo. Ele liderou iniciativas para atualizar os sistemas de rede que aumentam a velocidade, a segurança e a confiabilidade dos dados trocados entre os diversos departamentos do Conselho. A equipe do MIS também reformulou o site do SRC para melhorar a comunicação com o público e integrou análises para melhor compreensão do seu público.
O projeto ISC Organizações científicas na era digital surgiu em um momento em que a SRC estava pensando estrategicamente em reduzir o atrito na forma como interage e aprende com seus clientes. Como parte do grupo, havia muito em que poderiam ter se concentrado. No entanto, eles optaram por priorizar um braço de seus negócios que gera receita significativa: a planta piloto. Aqui, eles vendem tempo pelo uso de suas instalações com certificação ISO, onde os clientes podem trazer protótipos para produção e testes.
Atualmente, para utilizar a planta piloto, os clientes precisam fazer reservas manualmente. Esse processo de agendamento tem causado frequentes reservas duplicadas, resultando em ineficiências e experiências ruins para os clientes. O maior desafio é a falta de transparência. Não há uma maneira fácil de ver quando o equipamento está disponível ou como gerenciar a programação com flexibilidade. Ao ingressar no projeto ISC, Ricardo e sua equipe buscaram orientação sobre como modernizar esse processo e implementar um sistema de reservas online automatizado. Para a SRC, ter reservas integradas permitiria uma utilização bem planejada de sua planta e uma receita mais previsível.
Uma direção de viagem
Por meio do projeto ISC, Ricardo conheceu novas metodologias que ampliaram sua perspectiva.
“Sempre me concentrei na tecnologia; em como fazê-la funcionar, como fazê-la funcionar”, explica Ricardo. “Mas agora, estou pensando nas pessoas que a usam, como elas vão interagir com ela e como ela se encaixará em seu fluxo de trabalho. Essa é a verdadeira mudança.”
As sessões o incentivaram a adotar uma abordagem que envolvia o envolvimento precoce das partes interessadas, a compreensão das experiências dos usuários e a integração do feedback em etapas oportunas do projeto. Essa mudança de mentalidade influenciou a forma como ele está abordando o novo sistema de reservas da planta piloto. Em vez de construir o sistema completo de uma só vez, Ricardo e sua equipe optaram por uma implementação em fases, começando com um Produto Mínimo Viável (MVP).
“Decidimos começar aos poucos e construir gradativamente. Dessa forma, podemos nos ajustar e obter feedback em cada etapa”, explica Ricardo.
Esta estratégia visa agilizar a implementação e, ao mesmo tempo, reduzir a resistência da equipe, envolvendo-a desde o início do processo. Como parte disso, Ricardo trabalhou em um plano de gestão de mudanças que inclui o envolvimento regular da equipe nas etapas de desenvolvimento.
Ricardo também foi apresentado à importância crucial da visualização. Seja conceitualizando todo o projeto em um quadro branco ou anotando os requisitos específicos para cada etapa, ele agora entende que a clareza é fundamental para evitar armadilhas. Quanto mais ele visualiza, mais fácil fica identificar lacunas e garantir o alinhamento.
A abordagem MVP também permite que eles evitem erros dispendiosos.
“Queríamos ter certeza de que estávamos construindo algo que os usuários realmente desejariam usar”, diz Ricardo.
A visão de longo prazo de Ricardo para o SRC é clara: um ecossistema de tecnologia centrado no usuário, onde as ferramentas digitais evoluem constantemente para atender às necessidades de funcionários e clientes. O objetivo final é criar um SRC conectado digitalmente, onde tanto os sistemas internos quanto os serviços voltados para o cliente sejam perfeitamente integrados.
Enquanto Ricardo e sua equipe trabalham para finalizar o sistema de reservas da planta piloto, eles já estão planejando os próximos passos para a estratégia digital mais ampla do SRC. Um dos principais pilares da estratégia é a digitalização de ativos físicos, e Ricardo prevê que o projeto preparará o terreno para futuros esforços de digitalização.
Ricardo espera que, quando o sistema estiver totalmente operacional, ele abra caminho para a integração de ferramentas de IA e análise de dados, o que aprimorará o aprendizado e o atendimento ao cliente. Ele já está desafiando sua equipe a pensar em como usar esses dados para melhorar a agilidade e a capacidade de resposta de seus processos.
"Quero que continuemos adotando a transformação digital de uma forma que funcione para nós. O tipo de tecnologia que quero construir é aquela que facilita a vida das pessoas", conclui Ricardo.
Reconhecimento de financiamento: Este trabalho foi realizado com o auxílio de uma bolsa do Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (IDRC), Ottawa, Canadá. As opiniões aqui expressas não representam necessariamente as do IDRC ou de seu Conselho de Administração.