Marcia Barbosa é uma física teórica de uma família de classe média baixa no sul do Brasil. Desde seus primeiros dias acadêmicos, ela equilibrou sua carreira em ciências com participação ativa em políticas científicas. Nessa dupla função, ela se tornou a primeira presidente do Grupo de Trabalho da IUPAP sobre Mulheres na Física. Essa iniciativa foi fundamental para aumentar a conscientização sobre a situação das mulheres na física em todo o mundo e levou à criação de equipes nacionais em mais de 60 países que ainda trabalham para aumentar e melhorar a participação das mulheres na física. Esse movimento levou a inúmeras mudanças de política dentro da IUPAP, rendendo a ela a Medalha Nicholson da American Physical Society. Marcia também atuou como vice-presidente da IUPAP, durante a qual atuou como a primeira Campeã de Gênero da União, implementando políticas que promoviam mulheres a posições de liderança dentro da organização.
Além de seu trabalho em prol da igualdade de gênero, Marcia Barbosa também é uma renomada especialista em anomalias hídricas. Sua pesquisa inovadora nessa área lhe rendeu o prestigioso Prêmio L'Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência. Seu trabalho, que se concentra no desenvolvimento de novos métodos para a produção de água potável, é particularmente vital diante dos atuais desafios globais relacionados ao estresse hídrico. Em reconhecimento às suas contribuições para a ciência, ela foi admitida como membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Mundial de Ciências.
Durante sua gestão como diretora da Academia Brasileira de Ciências, Marcia desempenhou um papel fundamental na criação de um Código de Ética e Conduta e promoveu ativamente programas de divulgação científica. Como comunicadora científica, ministrou inúmeras palestras públicas. Seus esforços na promoção da ciência lhe renderam diversos prêmios brasileiros, incluindo o Prêmio Anísio Teixeira da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o Prêmio Silvio Torres da FAPERGS (Federação das Faculdades de Artes e Ciências da Educação, Universidade e Governo Local) e a Medalha de Mérito Científico da Presidência da República.
Além disso, Marcia está envolvida em pesquisas sobre ciência aberta. As descobertas científicas feitas por ela e seus alunos têm sido fundamentais para moldar novas políticas, particularmente os programas “ler e publicar” projetados pelo Conselho Brasileiro de Educação Superior, CAPES.
Mais recentemente, ela passou um ano como Secretária de Programas Estratégicos e Planejamento no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil (função equivalente a vice-ministra), onde promoveu a criação de uma plataforma sobre diversidade dentro do G20 Innovation Group. Ela também defendeu uma iniciativa internacional sobre florestas tropicais e encorajou os países a incluir a biodiversidade no Global Biodiversity Information Facility.
Marcia retornou de seu papel no governo federal quando seu estado natal, o Rio Grande do Sul, enfrentou uma enchente devastadora em maio de 2024. Ela organizou uma equipe de pesquisadores para monitorar a situação e propor iniciativas aos governos local e federal para reconstrução em novas fundações. Esta Rede de Emergência Climática e Ambiental tornou-se um instrumento para criar planos de ação, incluindo um programa para ensinar estudos climáticos e ambientais nas escolas.
Esta página foi atualizada em janeiro de 2025.